quarta-feira, fevereiro 27

Subúrbios

Celebro as virtudes e os vicios
de pequenos burgueses suburbanos
que ultrapassam o refrigerador
e colocam guardas sóis de cor
junto ao jardim que anela uma piscina:
este ideal ao luxo soberano
para meu irmão pequeno burguês
que és tu e que sou eu, vamos dizendo
a verdade verdadeira neste mundo.

A verdade daquele sonho a curto prazo
sem escritório no sábado, por fim,
os desapiedados chefes insolúveis
onde sempre nasceram os verdugos
que acham e se multiplicam sempre.

Nós, heróis e pobres diabos,
fracos, fanfarões, inconclusos,
e capazes de todo o impossível
sempre que não se veja e não se ouça,
dom juans e doms-juanas passageiros
na fugacidade de um corredor
ou de um tímido hotel de passageiros.
Nós, com pequenas vaidades
e resistidas ganas de subir,
de chegar onde todos têm chegado
porque assim nos parece que é o mundo:
uma pista infinita de campeões
e em um lugar nós, esquecidos
por culpa de talvez todos os outros
porque eram tão parecidos conosco
até que roubaram seu lauréis,
suas medalhas, seus títulos, seus nomes.


Pablo Neruda

sexta-feira, fevereiro 22

Poema

Tamanha devassidão
Os dentes trincados no chão
Como uma pétala retirada
Daquela flor...
A tua amada

Mas você não tem um amor

Então segues...
Não olhai o lírio dos campos
Não procure os teus quebrantos
Siga vida senha a vida
O que sentes não é

Nada demais, porque depois ao pó
Retornarás, mas servirá pra muitas coisas

Pro charco
Pro vale
E pro urubu
Até seu olho do cú


Outro poema

Na vida tudo têm seu coringa e seu aís
Seu calado e seu cais
Seu espanto
A agonia
O farsejo que sangra o dia

Têm sempre o momento do desespero
O ato que estilhaça o peito
A verdade que destrói a mente
A loucura que desvaira a gente

E no final tudo têm um quê de ruim
E enquanto formos cristãos
Isto será nosso fim!

segunda-feira, janeiro 7

duvida para martim

cara ai esta um texto seu que tah no blog
eu queria tirar umas duvidas sobre ele
que me interessou por dois motivos: nele vi pela primeira vez a idea de esquecimento do ser, e a frase final eu achei poetica e com uma fluidez retada, e entendi minutos antes de fazer esse texto. Ai vão as duvidas:

O que vem a ser o esquecimento do ser pra vc?(seria n se colocar na fluidez da existencia? N "obedecer" o inesperado?
E esse mal estar coletivo que causa esses pensamentos novos, por que causa esse mal estar?

valeu ai cara
sei que vai me responder!


trecho do trabalho sobre Heráclito: "À experiência da origem"

O pensamento, em sua morada própria, em seu fazer-se primordial, arcaico, parece ser, para a cultura dominante sempre um mal-estar. Deveras, não é nada fácil distinguir os sinais de cura e/ou adoecimento de cada febre; mas, além disto (já que hoje em dia somos tão bem-informados) a questão parece ser que se for permitido a qualquer um que pense livremente, não demorará muito a que se pronunciem "por aí" estes "tipos" de pensamentos "livres e desagradáveis", causando um mal-estar coletivo e, consequentemente, perigoso. Segundo Freud, trocamos imensas possibilidades de contentamento por muito pouca segurança. É certo que, apesar de todas as conquistas do tão festejado desenvolvimento da civilização técnico-científico-industrial, os seres humanos continuam com a mesma, e cada vez mais exacerbada, percepção de si e da natureza enquanto objetos a serem dominados... Esta é a desmesura (Hybris), que parece acompanhar e se desenvolver junto com a história do pensamento no Ocidente, a história do esquecimento do Ser. O pior dos incêndios, talvez exatamente por permanecer imperceptível a arrogância humana. É preciso obedecer, isto é, é preciso estar à escuta e à espera do inesperado - fazer a cama em suas proximidades, pré-parar todo o fluxo do pensamento para, enfim, deixar o extraordinário brilhar e presentificar-se aonde sempre já esteve: no ordinário. Afinal, como alguém poderia manter-se encoberto face ao que nunca se deita?

sexta-feira, janeiro 4

Arco-íris

A lua linda e seu brilho branco
Prismatiza em seu corpo negro
Que a lança em feixes de muita alegria
Em cada cor com sua sintonia

O Vermelho é Pirajá
pois um índio em ti renascerá
Azul é tua alforria
da tristeza que sangra os dias
O verde é o nobre desejo
de ter alguém a teu peito
O amarelo é a luz do sol
o inquieto sob o lençol
O lilás é a sintonia
entre a ti e a tua alegria
O rosa é a tua flor
que deste à teu amor
E o laranja é o estilhaço
de amor pra todos os lados

terça-feira, dezembro 25

terça-feira, dezembro 18

Heráclito, Frag. 26

O homem toca a luz na noite, quando com visão extinta está morto para si; mas vivendo, toca o morto, quando com visão extinta dorme; na vigilia toca o adormecido.

(trad. Emmanuel Carneiro Leão)

sábado, dezembro 15

brisa

por cima
e por baixo
tem sempre um lado maior que o outro

por todos os ladbos
------rostos

para todo o sempre
---aprendizado

para cada ser
----estar

para cada momento
----situação

para cada espaço
---liberdade

para cada riso
------paz

relaxe
sinta a briiiisa que corre no ar
as vezes
os deuses ouvem nossas preces

quarta-feira, dezembro 5

vejam isso por favor... é simplesmente inquietante

http://bacteriabroderagem.blogspot.com/2006/08/caraaaaaalho.html

quinta-feira, novembro 29

Angustia safada

Angustia travada
Por quê?
Não sei nada
Mas me desacata
E redoma-se a mim

Não dizes
Percalsa
Aflora
Desata
E me desacata
Redoma-se a mim

Angustia obtusa
Desflora-me
Abusa
Meirinha
Aplainada
Que me desacata
E redoma-se a mim

Menina calada
Me tira a palavra
Que não se desata
E termina sem fim

Angustia sufoco
Que torna-me louco
Se vá na calada
E deixe-me em mim

menina devolva
Meus versos que rouba
Pois deixando-me louco
Será o seu fim

Angustia venérea
Me deixa sem rédeas
Pois me desacata
E redoma-se a mim

Mas já ta na hora
De ires embora
Angustia safada
Será o seu fim

terça-feira, novembro 13

Jurema
amargo e travoso
Jurema

de introspecto e reflexão
Jurema
cavou fundo em mim

devagar, não leve.
fundo
amargo
travoso
Jurema

não trouxe
não levou
jogou tudo pra cima
e não esperou a poeira baixar

febre duradoura
indigestão

seu veneno qual antidoto
pequenas doses de verdade
Jurema


(e quem (s)eras tu jurema?)

domingo, novembro 11

verbete anti rascismo

Coisa que pouco poeta saca
rimar preto
com branco
e negrura
com águas claras

terça-feira, novembro 6

segunda-feira, novembro 5

trecho de Vanguarda e Subdesenvolvimento de ferreira gullar

Esta etapa da arte política, no Brasil, colocou alguns problemas novos e, de novo, alguns problemas velhos. Destes, o mais importante foi a volta à radicalização cepeciana, à subestimação dos problemas estéticos e culturais em função da denúncia e da propaganda política, que se verificou não apenas em grupos teatrais universitários mas também em grupos profissionais. O outro problema surgido foi o abandono do sentido didático (brechtiano) do teatro político em favor de uma posição irracionalista, que libera o dinamismo das formas cênicas e às vezes atinge o nível da pura e simples agressão ao público. Esta tendência, como a anterior, decorre de uma visão política da situação brasileira, cujo fundo é o revolucionarismo de classe média.

sexta-feira, novembro 2

Considerações sobre alberto caeiro

O que mais achei engraçado na filosofia de Alberto Caeiro, foi a sua criação de um sistema de negações dos sistemas, diria ser um passo infantil para um niilismo afirmador. Talvez ele tenha agido dessa forma para fazer-se entender pelo homem comum ou talvez por impossibilidade de exprimir o inexprimível na língua portuguesa. No fim fica essa incógnita irrelevante. Entretanto, como vinha dizendo, o que realmente me chamou à atenção foi sua boba noção de mundo como “indiferença” se é que me entendem. Na sua indiferença mundana a manifestação da vida era nula, como se o caráter significativo desta fosse um falseamento dela mesma, como se os significados fossem externos as coisas, enfim uma indiferença tacanha pra não dizer Oriental.
O que ele esqueceu é que a sua “indiferença” é um portal significativo como qualquer outro
por onde andará stephen groba?