é que sou assim mesmo pequeno
e penso que sou desajeitado
sentidos impostos em seu passo lento
vivo sereno até sua chegada
não me ame quando eu não mais quiser
no fundo eu só quero achar
sentir a tarde ao anoitecer
e o mar quando você não mais me aguardar
serenamente acalme-se baixinho
mais baixo que o nosso amar
mas ama-me de fininho
afinal as coisas boas que acontecem
não são só no ínicio do caminho
e sim no seu mais tardar
domingo, agosto 20
fernando pessoa
Das inúmeras tentativas de se compreender a figura poética de Fernando Pessoa, esse poema de Dummond me pareceu a que chegou mais perto, dispensando toda uma livralhada acadêmica sobre ele.
SONETILHO DO FALSO FERNANDO PESSOA
Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,
eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
Drummond tem um domínio tão íntimo da técnica que, se nao soubesse que esse poema era dele, diria que pertencia a Fernando Pessoa!
Está em seu livro 'Claro enigma', dedicado(se nao me engano)ao próprio Fernando Pessoa.
SONETILHO DO FALSO FERNANDO PESSOA
Onde nasci, morri.
Onde morri, existo.
E das peles que visto
muitas há que não vi.
Sem mim como sem ti
posso durar. Desisto
de tudo quanto é misto
e que odiei ou senti.
Nem Fausto nem Mefisto,
à deusa que se ri
deste nosso oaristo,
eis-me a dizer: assisto
além, nenhum, aqui,
mas não sou eu, nem isto.
Drummond tem um domínio tão íntimo da técnica que, se nao soubesse que esse poema era dele, diria que pertencia a Fernando Pessoa!
Está em seu livro 'Claro enigma', dedicado(se nao me engano)ao próprio Fernando Pessoa.
quarta-feira, agosto 16
Guarajuba.
Semana passada, o caderno de Turismo do jornal A Tarde publicou que Guarajuba, km 42, Estrada do Coco, está crescendo, alarga-se, demanda infra-estrutura e principalmente uma delegacia que afugente os alcaides de fim-de-semana. È preciso. A violência é assustadora, correm-se assaltos, furtos.... e, além disso, segundo a matéria, a hotelaria internacional e seu séqüito de resorts, já nas dunas carregando areias, não pode, em vista da grande injeção de capitais, promoção de empregos e fôlego na economia nacional, deixar que seu dinheiro se perca em terras sem lei.
Passei boa parte de minha infância lá. Costas queimadas de água-viva, pé engessado, pontos internos e externos no joelho, beijos, porres...as primeiras marcas da vida tive-as todas lá. Embora houvesse poucas moradas àquela época, mesmo assim, Guarajuba ainda era um covil de casas abandonadas. Hoje não há mais espaço para nada. Parques, praças e motocicletas ocupam o tempo da meninada.
Lembro-me de íamos eu e meu primo Daniel, munidos com os tacos de sinuca de meu pai, realizar rigorosas autopsias nestes velhos lares abandonados. Pulávamos o muro coberto pelo mato sempre à tardinha. Encontrávamos em quase todas elas uma pilha alta de tijolos no quintal de grama alta: talvez um último suspiro de vida, quem sabe, ou apenas um grande palácio de lagartixas, nada mais. Poucas possuíam churrasqueiras, falta curiosa dos veranistas de outrora. Contudo, certa vez entramos numa casa onde, ao lado do caminho de pedras que atravessava o quintal, havia uma lúgubre churrasqueira agasalhada por emaranhadas Salsaparrilhas que desciam até o chão. Perscrutando o triste local, ao lado da parede de azulejos azuis que pareciam sonho, Daniel encontrou um antigo fole deixado onde se depositava o carvão. Passara-me a cutucar com aquela coisa, provocando, insistente. O que, de pronto, tive de responder à altura com meu taco de sinuca. Duelávamos quando, num infeliz instante, ele fez soprar o fole e toda sorte de insetos voou sobre mim como um chuva negra. Foi preciso tirar rapidamente minha camisa e jogá-la no chão. Atônitos, sacudimo-la de um lado pro outro com os tacos para que os bichos fossem embora. Mas ela ficou tão suja que, lembrando agora, dou risada com a desculpa dada em casa explicando que fôramos roubados e que somente levaram minha camisa. Talvez hoje a desculpa soasse mais convincente...
Passei boa parte de minha infância lá. Costas queimadas de água-viva, pé engessado, pontos internos e externos no joelho, beijos, porres...as primeiras marcas da vida tive-as todas lá. Embora houvesse poucas moradas àquela época, mesmo assim, Guarajuba ainda era um covil de casas abandonadas. Hoje não há mais espaço para nada. Parques, praças e motocicletas ocupam o tempo da meninada.
Lembro-me de íamos eu e meu primo Daniel, munidos com os tacos de sinuca de meu pai, realizar rigorosas autopsias nestes velhos lares abandonados. Pulávamos o muro coberto pelo mato sempre à tardinha. Encontrávamos em quase todas elas uma pilha alta de tijolos no quintal de grama alta: talvez um último suspiro de vida, quem sabe, ou apenas um grande palácio de lagartixas, nada mais. Poucas possuíam churrasqueiras, falta curiosa dos veranistas de outrora. Contudo, certa vez entramos numa casa onde, ao lado do caminho de pedras que atravessava o quintal, havia uma lúgubre churrasqueira agasalhada por emaranhadas Salsaparrilhas que desciam até o chão. Perscrutando o triste local, ao lado da parede de azulejos azuis que pareciam sonho, Daniel encontrou um antigo fole deixado onde se depositava o carvão. Passara-me a cutucar com aquela coisa, provocando, insistente. O que, de pronto, tive de responder à altura com meu taco de sinuca. Duelávamos quando, num infeliz instante, ele fez soprar o fole e toda sorte de insetos voou sobre mim como um chuva negra. Foi preciso tirar rapidamente minha camisa e jogá-la no chão. Atônitos, sacudimo-la de um lado pro outro com os tacos para que os bichos fossem embora. Mas ela ficou tão suja que, lembrando agora, dou risada com a desculpa dada em casa explicando que fôramos roubados e que somente levaram minha camisa. Talvez hoje a desculpa soasse mais convincente...
terça-feira, agosto 15
Marco o tempo
passo
faço o erro escrito
enlaço
com marcapasso
o espaço em que desenho
É meu desenho?
No meio do caminho
enlaço
O espaço escrito entre passos
Me esqueço do caminho passado
E me passo com mal passo
mas me enlaço no teu laço
e esqueço meu desejo
passo no teu passo?
piso no teu piso?
escapo,
mas retorno mal passado
pro enlace do teu voô
passo
faço o erro escrito
enlaço
com marcapasso
o espaço em que desenho
É meu desenho?
No meio do caminho
enlaço
O espaço escrito entre passos
Me esqueço do caminho passado
E me passo com mal passo
mas me enlaço no teu laço
e esqueço meu desejo
passo no teu passo?
piso no teu piso?
escapo,
mas retorno mal passado
pro enlace do teu voô
domingo, agosto 13
sexta-feira, agosto 11
Desconfiança onírica
Recostada no canto do quarto, tranqüila, Luana dorme com a cabeça sobre minha calça usada de ontem. De repente enche-me a curiosidade de saber que sonhos se passam por dentro de sono tão sossegado, quieto, pois seria crime onírico que cachorros não sonhassem! Seria descaso imperdoável da natureza, uma falta de senso do criador.
Mas de um jeito ou de outro, contudo, impassível, Luana rosna: uma, duas vezes, outras ainda, e o que intriga é saber se ela está sonhando ou tendo pesadelo. Quer dizer, se está na iminência de confrontar-se com grandes vultos ameaçadores que espreitam o quintal da casa, no ofício da defesa doméstica, ou se está a folgar e rolar na grama com outros de sua espécie... Estes animais reservam quase que exclusivamente para o olhar a ciência da comunicação; a boca... bem, a boca é para o resto. E não digo isso por nada: para se ter uma idéia, depois de velha, ela me passa agora horas a fio mastigando entre os caninos as meias da casa, sujas, pútridas, numa avidez tanto mais encarniçada quanto mais encardidas estejam elas, deixando-as ensopadas, lubrificadas. Talvez seu maior desejo fosse que eu chegasse de cada dez em dez minutos, incansável, com os sapatos encharcados da chuva.
Sem avisar torna a soltar outro rosnado enigmático. Desperta-me curiosidade renovada: seriam minhas meias o motivo da exteriorização de seus sonhos, ou pesadelos?
Mas de um jeito ou de outro, contudo, impassível, Luana rosna: uma, duas vezes, outras ainda, e o que intriga é saber se ela está sonhando ou tendo pesadelo. Quer dizer, se está na iminência de confrontar-se com grandes vultos ameaçadores que espreitam o quintal da casa, no ofício da defesa doméstica, ou se está a folgar e rolar na grama com outros de sua espécie... Estes animais reservam quase que exclusivamente para o olhar a ciência da comunicação; a boca... bem, a boca é para o resto. E não digo isso por nada: para se ter uma idéia, depois de velha, ela me passa agora horas a fio mastigando entre os caninos as meias da casa, sujas, pútridas, numa avidez tanto mais encarniçada quanto mais encardidas estejam elas, deixando-as ensopadas, lubrificadas. Talvez seu maior desejo fosse que eu chegasse de cada dez em dez minutos, incansável, com os sapatos encharcados da chuva.
Sem avisar torna a soltar outro rosnado enigmático. Desperta-me curiosidade renovada: seriam minhas meias o motivo da exteriorização de seus sonhos, ou pesadelos?
segunda-feira, agosto 7
Hpótese absurda:primeiro Ìpslon?
Circula pela internet um jogo de passatempo que me fez lembrar Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Não que eu queira fazer-me profeta, e muito menos pertencente aos de linhagem pessimista, não: esta hipótese absurda serve apenas como registro curioso e inquieto, nada além disso.
Mas o que quero dizer é que este passatempo é uma espécie de distração apavorante, indigesto, um puzzle macabro mesmo! Pois o joguinho prende a atenção do internauta ao exigir-lhe a mais religiosa concentração e silêncio na tarefa de levar um pequeno ponto por entre passagens estreitíssimas em direção ao seu destino. È simples e petrifica o olhar no computador. Acontece que em certa altura, fatalmente, de maneira abrupta e estridente, surge na tela a figura do cão encarnado, do demo em pessoa. O susto é inevitável, é traumatizante.
No livro de Huxley, os bebês gerados em incubadoras, tipos de placentas artificiais, são submetidos a sessões de condicionamento emotivo e classista. Durante uma etapa desse processo, os nascidos que estão predestinados a servir nas classes mais inferiores, os chamados Ìpsilons, são induzidos a engatinharem na direção de rosas e livros. Mas quando eles chegam perto o suficiente, quase que os tocando, as crianças levam choques elétricos seguidos de gritos ensurdecedores. Dessa forma criar-se-ia então um bloqueio para sentir e pensar: e assim a estabilidade da sociedade estaria livre de possíveis conturbações que viessem de classes subalternas.
Pois que, assistindo a um vídeo que registrara a reação de um garoto de 5 anos ao tal puzzle macabro, lembrei desta cena apocalíptica criada por Huxley. Talvez uma comparação incoerente, sem pé nem cabeça, mas o susto que a criança levou deixara-a estática, muda, sem reação e certamente, ou será absurdo, mergulhada dentro de um trauma que lhe poderá cortar boa parte de sua personalidade emotiva e civil, quem sabe.... Premonição de um Ipsilon?
Mas o que quero dizer é que este passatempo é uma espécie de distração apavorante, indigesto, um puzzle macabro mesmo! Pois o joguinho prende a atenção do internauta ao exigir-lhe a mais religiosa concentração e silêncio na tarefa de levar um pequeno ponto por entre passagens estreitíssimas em direção ao seu destino. È simples e petrifica o olhar no computador. Acontece que em certa altura, fatalmente, de maneira abrupta e estridente, surge na tela a figura do cão encarnado, do demo em pessoa. O susto é inevitável, é traumatizante.
No livro de Huxley, os bebês gerados em incubadoras, tipos de placentas artificiais, são submetidos a sessões de condicionamento emotivo e classista. Durante uma etapa desse processo, os nascidos que estão predestinados a servir nas classes mais inferiores, os chamados Ìpsilons, são induzidos a engatinharem na direção de rosas e livros. Mas quando eles chegam perto o suficiente, quase que os tocando, as crianças levam choques elétricos seguidos de gritos ensurdecedores. Dessa forma criar-se-ia então um bloqueio para sentir e pensar: e assim a estabilidade da sociedade estaria livre de possíveis conturbações que viessem de classes subalternas.
Pois que, assistindo a um vídeo que registrara a reação de um garoto de 5 anos ao tal puzzle macabro, lembrei desta cena apocalíptica criada por Huxley. Talvez uma comparação incoerente, sem pé nem cabeça, mas o susto que a criança levou deixara-a estática, muda, sem reação e certamente, ou será absurdo, mergulhada dentro de um trauma que lhe poderá cortar boa parte de sua personalidade emotiva e civil, quem sabe.... Premonição de um Ipsilon?
domingo, agosto 6
felizes, inocentes, ignorantes,
juízes, dementes, farsantes:
somos uma espécie em ascenção.
e quando formos reis
não haverá sombras ou dúvidas
mentiras ou verdades
orgulho ou remorso
por trás de discursos vazios...
quando formos deuses
todos terão pavor das palavras
que distraidamente concedermos.
e dentre as chamas e o caos virulento em que mergulhará o mundo
não haverá outro motivo para rir.
dá me logo um beijo, meu amor,
acaso existe, em algum lugar,
miséria mais afortunada que a nossa?
juízes, dementes, farsantes:
somos uma espécie em ascenção.
e quando formos reis
não haverá sombras ou dúvidas
mentiras ou verdades
orgulho ou remorso
por trás de discursos vazios...
quando formos deuses
todos terão pavor das palavras
que distraidamente concedermos.
e dentre as chamas e o caos virulento em que mergulhará o mundo
não haverá outro motivo para rir.
dá me logo um beijo, meu amor,
acaso existe, em algum lugar,
miséria mais afortunada que a nossa?
sexta-feira, agosto 4
“De um momento para o outro minha vida foi assaltada por indescritíveis blogs*.”
*blog , s. Espaço restrito para um mundo. (Quim.) Metabolismo emotivo compartilhado com o teclado. (Anat.) Disjunção óptica relacionada à exposição prolongada diante do computador. (Bot.) Mangueiras que dão frutos no inverno. (Psi.) Transtornos criativos em estado virtual. (Mat.) Primo distante do log. (Liter.) Só o futuro dirá.
*blog , s. Espaço restrito para um mundo. (Quim.) Metabolismo emotivo compartilhado com o teclado. (Anat.) Disjunção óptica relacionada à exposição prolongada diante do computador. (Bot.) Mangueiras que dão frutos no inverno. (Psi.) Transtornos criativos em estado virtual. (Mat.) Primo distante do log. (Liter.) Só o futuro dirá.
terça-feira, agosto 1
Poeminha idiota de última hora
A sorte passou por mim
Apontou-me um caminho
era contramão
ia dar em multa.
Anadora Andrade
Apontou-me um caminho
era contramão
ia dar em multa.
Anadora Andrade
segunda-feira, julho 31
�... o mirante ...�
�... o mirante ...� Recado a Vinícius
Não fica bem a um marmanjo como eu já pra bater os 24 anos ficar por aí aprendendo certas coisas. Dia desses, por exemplo, reuni coragem, envesguei os olhos numa lufada de vento que chegava e, para meu alívio, devo confessar, continuei normal! Já noutro, filosofando com siris na areia sob a sombra agradável dum coqueiro ao meio-dia, quase que recebo um coco na cabeça. E não faz muito tempo me pego a conhecer a obra de Èrico Veríssimo, pra não dizer que o violão me chegou depois dos vinte. È grave, muito grave.
Outro caso foi que mês e pouco atrás estava era eu me entregando com fitinha do Bonfim no pulso e tudo a uma menina linda que só ela. Dessas que um mês é uma década em não dizer-se apaixonado. Dessas que te fazem crer ter encontrado a medida da metáfora para um poeta desprovido de recursos líricos. E eu segui tudo, meu poeta: abri conta no florista, aprendi a cozinhar, olhava-a sempre como minha primeira namorada, tive peito de remador, fui cortês e bom bebedor. Tudinho mesmo. Éramos feito ligação iônica: ninguém perdia. Mas não sei de qual das 32 direções da bússola veio tal borrasca que a tudo levou para longe, mas muito longe.
E disso aprendi a desconfiar de cartilhas Para viver um grande amor, meu Deus! Pois são outros tempos, Vinícius, caro poetinha, são outros tempos, seu bon-vivant de talento maior, são outros tempos...
Não fica bem a um marmanjo como eu já pra bater os 24 anos ficar por aí aprendendo certas coisas. Dia desses, por exemplo, reuni coragem, envesguei os olhos numa lufada de vento que chegava e, para meu alívio, devo confessar, continuei normal! Já noutro, filosofando com siris na areia sob a sombra agradável dum coqueiro ao meio-dia, quase que recebo um coco na cabeça. E não faz muito tempo me pego a conhecer a obra de Èrico Veríssimo, pra não dizer que o violão me chegou depois dos vinte. È grave, muito grave.
Outro caso foi que mês e pouco atrás estava era eu me entregando com fitinha do Bonfim no pulso e tudo a uma menina linda que só ela. Dessas que um mês é uma década em não dizer-se apaixonado. Dessas que te fazem crer ter encontrado a medida da metáfora para um poeta desprovido de recursos líricos. E eu segui tudo, meu poeta: abri conta no florista, aprendi a cozinhar, olhava-a sempre como minha primeira namorada, tive peito de remador, fui cortês e bom bebedor. Tudinho mesmo. Éramos feito ligação iônica: ninguém perdia. Mas não sei de qual das 32 direções da bússola veio tal borrasca que a tudo levou para longe, mas muito longe.
E disso aprendi a desconfiar de cartilhas Para viver um grande amor, meu Deus! Pois são outros tempos, Vinícius, caro poetinha, são outros tempos, seu bon-vivant de talento maior, são outros tempos...
a lua branca e meus sonhos negros
A lua em estado de graça
Sintoniza o sonho e o chão,
Apesar de nas ruas da desgraça
Converger-se em pueril aflição
Sintoniza o sonho e o chão,
Apesar de nas ruas da desgraça
Converger-se em pueril aflição
sábado, julho 29
quinta-feira, março 23
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